Autoconsumo de energia solar: o que é e como funciona
O autoconsumo permite que os edifícios consumam a sua própria energia solar, prometendo maior independência da rede e proteção contra futuras subidas das tarifas elétricas. Neste guia respondemos às perguntas mais frequentes sobre o tema.
É preciso desligar-se da rede para usar energia solar?
Não é necessário desligar-se da rede para utilizar a eletricidade produzida com energia solar. Ao sincronizar o sistema fotovoltaico com o fornecimento da rede, a instalação elétrica pode ser alimentada por ambas as fontes em simultâneo.
Os inversores fotovoltaicos foram concebidos para funcionar em paralelo com a rede: medem a tensão e a frequência no ponto de ligação e entregam uma potência sincronizada com esses valores. Assim, o sistema não gera desequilíbrios nem instabilidade na instalação elétrica da casa.
O que é a taxa de autoconsumo solar?
A taxa de autoconsumo é a relação entre a energia fotovoltaica produzida e a parte dessa produção que é efetivamente consumida pelas cargas da casa. O valor varia entre 0% e 100%: uma taxa de 100% significa que toda a energia produzida é consumida localmente. Uma taxa inferior indica que parte da produção não é aproveitada no local — esse excedente pode ser injetado na rede e valorizado ao abrigo de regimes como a medição líquida ou a venda direta da eletricidade.
Sem baterias, uma habitação típica atinge taxas de autoconsumo de 20 a 40%. Com gestão de cargas e armazenamento, é possível subir para 60 a 80%, maximizando a poupança.
É preciso desligar o sistema fotovoltaico durante a noite?
À noite, o sistema fotovoltaico não produz eletricidade. Como os inversores ficam em modo de espera, o sistema consome uma pequena quantidade de energia. Esse consumo poderia ser evitado desligando o sistema todas as noites, mas isso raramente se faz: exigiria equipamento adicional e uma operação diária, e a energia poupada não é significativa.
Como consumimos a energia solar?
O autoconsumo solar é um processo natural. A energia fotovoltaica produzida vai primeiro para as cargas da casa, porque a eletricidade segue o caminho de menor resistência: o trajeto até aos equipamentos, feito de cabos e barramentos curtos, tem resistência muito menor do que o caminho até ao transformador e à rede. Por isso, as cargas consomem primeiro a produção solar disponível e retiram da rede apenas a energia adicional necessária. Quando a produção fotovoltaica supera o consumo, o excedente flui para a rede.
Como maximizar o autoconsumo
- Programar máquinas de lavar, bombas de calor e carregamento do carro elétrico para as horas de maior produção solar;
- Instalar baterias para armazenar o excedente diurno e usá-lo à noite;
- Dimensionar o sistema de acordo com o perfil de consumo real do agregado, evitando sobredimensionamento;
- Monitorizar a produção e o consumo através da aplicação do inversor, ajustando hábitos ao longo do tempo.